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Vinil novo e lacrado, vermelho translucido
Quarto álbum da banda de rock carioca Biquíni Cavadão, “Descivilização” foi lançado originalmente em LP e CD, no segundo semestre de 1991, e sua gestação foi bastante sofrida para o grupo que, à época, resolveu dar um tempo das turnês, jogou fora composições recém-compostas e, após um ano e meio de crise existencial, refletiram sobre o que já haviam feito, para avançar em composições mais condizentes com o que pretendiam. Deu certo. Numa carreira iniciada com um Disco Mix em 1985, com os mega hits “Tédio” e “No mundo da lua”, versando sobre temas que permeavam a rotina de estudantes adolescentes entrando na fase adulta (aliás, o que eles eram quando formaram o grupo), o Biquíni Cavadão foi amadurecendo e, sobretudo a partir deste álbum, ampliando seu leque temático e de referências sonoras. Esse “Descivilização” era mais pop, com algumas levadas funkeadas, músicas, no geral mais vibrantes, e letras de temas bem distintos dos discos anteriores, abordando problemas existenciais (como na faixa-título, em que questionavam se vivíamos numa sociedade civilizada ou numa negação dela própria) e sociais, como “Zé Ninguém” e “Cai água, cai barraco” (esta, com participação de Herbert Vianna, que, para quem não sabe, foi quem batizou o grupo com o nome que conhecemos). Há ainda canções que refletem um certo inconformismo, como “Vesúvio”, “Impossível” e “Arcos”, esta última, de harmonia mais suave, contou com a participação do violão de Roberto Menescal, que anos antes, como diretor artístico da extinta Polygram (atual Universal Music), havia contratado a banda.
